
Os progressos continuavam. O Elian que antes não conseguia andar na rua, às vezes porque grudava no meu pescoço e tremia com um medo inexplicável, ou porque saía correndo na frente sem destino, era muito difícil sair com ele a pé. Passear então, só se fosse de carrinho ou acompanhada de mais alguém pra me ajudar a carregá-lo. Depois que voltamos de São Paulo, continuamos a fazer as caminhadas no fim da tarde, mas o Elian continuava no colo ou no carrinho. Mas começamos a notar diferença nele, não estava mais olhando para o alto ou para o chão, estava mais focado em nós e no que estava acontecendo a sua volta, como se as coisas estivessem fazendo mais sentido pra ele. Foi assim, que aos poucos ele começou a conseguir andar de mãos dadas conosco nas caminhadas e consegui aposentar o carrinho. Até no shopping ele começou a andar direito, calmamente na maioria das vezes, a não ser que uma escada rolante estivesse à vista!
Um dia ele estava tão conectado comigo, que arrisquei sair sozinha com ele para passearmos na orla da praia, e aproveitei para apresentá-lo às coisas que ele agora “via”. Mostrei a árvore, o fiz tocar nela, encontramos muitas outras que ele quis tocar e olhava pra mim para que eu falasse: ÁRVORE!!! Mostrei um passarinho que estava no chão e ele olhou e sorriu! Mostrei o mar, os carros, ônibus, moto, bicicleta, caminhão, flor! Enfim, tudo que encontrava pela frente! Foi o passeio mais marcante que tive com ele, porque finalmente senti que meu filho estava entendendo o que eu estava falando e mostrando. É claro que eu apresentava tudo de uma maneira divertida, mas antes eu não tive sucesso! Como apresentar as coisas a uma criança que esta com medo e sem conseguir focar em nada? Era muito complicado!
Mas foi uma grande vitória pra ele! Eu estava realizada! Depois desse dia, ele começou a encostar a mão em todas as árvores! No começo ele até as confundia com alguns postes, mas agora ele já aprendeu a diferença.
Um dia eu experimentei não falar quando ele me olhou e fiz um olhar de: Agora é a sua vez!!! Nas primeiras árvores ele desistiu e saiu, mas ainda bem que existem muitas outras pela orla de Maceió! Então eu escutei bem baixinho: “Ham hom E”. Nossa que festa!!! Fiquei muito feliz e ele deu muita risada com as minhas maluquices! Nas próximas árvores ele foi mais corajoso e falou um pouco mais alto e no fim do passeio ele começou a falar em todas. Que incrível! Aquele negócio de son-rise funciona mesmo (pensei comigo)! Ainda bem que eu já tinha feito a minha inscrição muitos meses antes de passar na consulta, pois o médico não acreditava no método e cheguei bem desanimada no curso.
Minha sogra veio novamente nos visitar em maio e com ela estavam meu cunhado Everson e o primo do Elison, o Eber. Passamos um fim de semana incrível! Estávamos há cinco meses sem ir à praia! Isso é ridículo morando em Maceió. Fomos às praias que ainda não conhecíamos e o Elian estava muito feliz. Pude notar que o Elian finalmente parou de sair correndo sem destino! Ele ficava brincando na água, mas não ia embora! Foi muito especial!
Durante o tempo que minha sogra ficou em casa, ela aproveitou para ficar alguns momentos com o Elian no quarto de brincar. No primeiro dia pegamos uns pinos de boliche e colocamos para o Elian brincar, mas ele não queria jogar, queria que outra pessoa jogasse e ele ficava olhando, quando os pinos caíam, ele dava muita risada. Nós solicitávamos a ele que falasse JOGA! Para ela jogar a bola sobre os pinos. Mas ele se negava!
Então, tive uma idéia, pensei em dar o comando para minha sogra, para ele entender que depois que eu falasse JOGA ela jogaria a bola sobre os pinos. Fizemos isso várias vezes e ele estava se divertindo apenas olhando. Mas quando era a vez dele de falar, ele ia até a vovó, pegava a mão dela pra fazer ela jogar. Aí no começo não deu muito certo, porque a vovó cedia aos resmungos do neto, mas depois ela foi firme e quando ele viu que ela não ia jogar, ele foi correndo abrir a minha boca, pra eu falar o JOGA! Há há há! Não agüentamos, rimos muito! Porque ele entendeu que tinha quer ter um comando de voz para ela jogar a bola, mas ele não queria falar! Terminamos o dia frustradas! Passamos horas lá dentro e ele não abriu a boca dessa vez!
No dia seguinte arrumei o Elian para ir à escola e enquanto fui à cozinha ele entrou no quarto de brincar. Quando voltei o escutei! Cheguei perto da porta sem que ele me visse. Ele estava colocando os pinos em pé, pegando a bola e falando: “Homm A” e jogava a bola! Corri e chamei todo mundo para ver! Ficamos muito felizes! Funcionaram sim, as horas que passamos no quarto! Isso tudo foi nos dando mais confiança e controle sobre a ansiedade.